Demissões em massa na Editora Abril


Gráficos e jornalistas reagem à demissão de 500 profissionais na Editora Abril

Além do primeiro protesto na frente da empresa na última sexta (10), que reuniu entidades sindicais e trabalhadores, como a Ftigesp e três STIGs, uma ação judicial cobra da Abril multa de 1,3 milhão por danos morais

Na última sexta-feira (10), dia em que trabalhadores realizaram pelo país o Dia do Basta do golpe governamental contra os direitos trabalhistas e sociais, o movimento sindical dos jornalistas (SJSP), gráficos (Ftigesp e STIG) e do pessoal do administrativo em jornais e revistas (SINDADM) realizaram o primeiro protesto na frente da Editora Abril, na freguesia do Ó,  contra a demissão de centenas de profissionais das três categorias no início da respectiva semana. Foram 500 desligamentos, destes, 300 só de gráficos, 171 jornalistas e mais empregados do administrativo. Além da irregular demissão em massa, ninguém recebeu nada da Abril.

As demissões não podiam ocorrer por ter sido de forma coletiva e ainda por descumprir um entendimento do Ministério Público do Trabalho, que inclusive entrou com uma ação judicial contra uma primeira demissão em massa em 2017. “O órgão público já pediu também uma liminar para reverter as demissões do passado, sendo surpreendida com os novos desligamentos com um quantitativo ainda superior”, fala o advogado dos Sindicatos dos Jornalistas do estado (SJSP) e do Sindicato dos Gráficos (STIG) da capital paulista, Raphael Maia, presente na manifestação.

O jurista falou que já pediu a intervenção judicial neste novo caso a fim de impedir tais demissões. Foi solicitada uma antecipação de tutela, já que há um processo em curso sobre a mesma irregularidade para ser julgado no próximo dia 31, na 61ª Vara do Trabalho de SP. Nesta ação, pede-se ainda que a Abril pague uma multa de R$ 1,3 milhão por danos morais diante do desligamento em massa sem a prévia negociação com os sindicatos e por dispensa discriminatória dos profissionais com mais idade e anos de trabalho, substituídos por trabalhadores mais jovens.

Elisangela de Oliveira, presidente do STIG-SP, alertou inclusive os gráficos durante o protesto e em reunião no dia anterior que é falsa a história nos bastidores de que o sindicato negociou as demissões com a empresa. Pelo contrário, ela reforçou que é contra e o sindicato luta para revertê-las. “Se os donos da Abril não querem a empresa, que vão embora, mas a empresa e os empregos devem prevalecer porque são importantes para os trabalhadores e à sociedade. Lutaremos para que seja preservado os direitos e empregos de todos”, contou Paulo Zochi, presidente do SJSP.

O secretário-geral dos Radialistas, José de Sousa, também participou do ato em solidariedade ao conjunto de profissionais de Comunicação demitidos. Ainda marcaram presença os presidentes dos STIGs Bauru (Amilton Kaufman) e de Jundiaí (Leandro Rodrigues), levando inclusive o carro de som da entidade. “Estamos aqui contra a demissão de  centenas de gráficos e demais trabalhadores. A Abril está cometendo um  tremendo absurdo de poder econômico, elevado com a imposição de um parcelamento em 10 vezes das verbas rescisórias”, repudiou Leonardo Del Roy, que é presidente da Confederação Nacional dos Gráficos (Conatig) e da Federação Paulista da categoria (Ftigesp).

É geral o clima de insegurança e sofrimento dos trabalhadores demitidos e dos que continuam na Abril. “Nos demitiram e dizem que só pagarão em dez vezes, mas não tenho segurança em receber. Financiei minha casa e acreditava que poderia pagá-la um dia quando saísse da Abril, mas que segurança teremos de receber mesmo?”, indagou um gráfico  de forma reservada durante o ato. O medo é geral. Uma trabalhadora gráfica, que é mãe de uma menina de oito meses, também externou sua preocupação para cuidar da sua filha. Restou ao conjunto dos demitidos depositarem suas esperanças no movimento sindical para buscar sanar a  situação. A coordenação sindical já prevê um outro ato neste mês.

“Esta situação na Abril demonstra claramente os reflexos da nova lei do trabalho de Temer, onde permite, dentre outras mazelas, a demissão indiscriminada e à revelia dos sindicatos, bem como o descumprimento da lei onde impedi o parcelamento das verbas rescisórias sem garantias de pagamento”, diz Del Roy. Infelizmente, desde a nova lei, empresas têm feito tais dispensas imotivadas em massa, substituindo os gráficos por outro com salários inferiores, com efeitos negativos também para a economia diante da redução do poder de compra do trabalhador, além do desemprego. É preciso dar um basta nesta situação. Para tanto, é necessário votar em candidatos a governador, deputados, senadores e presidente que se comprometam a revogar esta reforma trabalhista.

Fonte: Conatig