Abril confirma golpe nos direitos


ABRIL CONFIRMA GOLPE NOS DIREITOS DE CENTENAS DE GRÁFICOS DEMITIDOS

Embora havia dito que pagaria todos demitidos, agora confirma blindagem com a recuperação judicial para continuar publicando a revista Veja e outros, enquanto aplica o golpe do ‘devo não nego, pago quando puder’

Na última semana, a Editora Abril, do grupo Civita, onde há a maior gráfica do país, confirmou para centenas de gráficos, jornalistas e administrativos demitidos no início de agosto, que recuou do compromisso firmado sobre o início do pagamento das verbas-rescisórias, multa do FGTS e garantia do convênio de saúde, odontológico e vale-refeição. Também disse que não pagará a multa de um salário nominal pelo descumprimento da lei em relação ao atraso do pagamento de verbas incontroversas. A confirmação do golpe foi repassada na reunião dos representantes das três categorias com um diretor da empresa, responsável pelo quadro dos trabalhadores. Os sindicatos, por sua vez, adiantaram que vão brigar junto dos demitidos de modo a pressionar interna e externamente para que tudo seja quitado.

No geral, embora a dívida trabalhista corresponda só a 6,87% do débito total da editora, a empresa condicionou o referido pagamento a uma nova promessa de um suposto empréstimo que, por ventura, venha a conseguir, mesmo já devendo milhões a vários credores. Outra vez prometeu, como fez antes de se abrigar na recuperação judicial - mecanismo que impede o pagamento imediato das dívidas -, que os trabalhadores eram prioridade. Limitou-se, porém, a prometer que tentará pagar uma parte significativa do débito, sem falar quanto ou quando, mas só se conseguir empréstimo. Ademais, de imediato, negou a continuidade do plano odontológico e do vale-refeição, que havia garantido antes da manobra judicial. E avisou que acabará o convênio médico. Só ficará quem pagar depois do aviso-prévio.

Nem mesmo no Termo de Rescisão do Contrato de Trabalho dos gráficos e demais profissionais desligados, que ficou de ser feito apenas na última sexta-feira, haverá descrito todos direitos pendentes. A Abril já disse que não incluirá os valores relativos à multa indenizatória de 40% do FGTS e da multa consonante ao não pagamento das verbas no período correto. Os advogados dos sindicatos das três categorias, como Dr. Raphael Maia dos gráficos e jornalistas, estarão ajudando todos na conferência de tudo. A intenção é enviar os ajustes para a editora, indicando valores pendentes das respectivas multas e outras verbas rescisórias para que esses ajustes sejam inseridos em tempo no conjunto de dívidas da recuperação judicial.

O golpe era previsto pela Federação Paulista dos Gráficos (FTIGESP), que, desde que tomou conhecimento da recuperação judicial (RJ), denunciou que se tratava de uma manobra para buscar legalizar o não pagamento dos direitos dos trabalhadores demitidos e continuar publicando revistas sem punição por conta das controversas proteções dadas às empresas com o RJ. “Foi este o então motivo alegado agora pela editora para não pagar nada e nem prometer o pagamento de nada, nem prazo ou quantia, bem como para descumprir todos compromissos antes acertados sobre os direitos e benefícios”, critica Leonardo Del Roy, presidente da FTIGESP.

Mas, se depender da FTIGESP e dos sindicatos dos profissionais demitidos, onde uma comissão já se reuniu no dia seguinte à confirmação do golpe, haverá muita luta e pressão para que a Abril pague as dívidas trabalhistas. Além da assistência jurídica a fim de evitar que direitos sejam sonegados nos termos de rescisão que serão inseridos pela empresa na RJ, haverá campanha publicitária pelas redes sociais com os slogans ABRIL DEMITE E NÃO PAGA! e PAGA CIVITA! Uma carta aberta está sendo feita. Além disso, serão produzidas reportagens sobre os efeitos negativos dessas demissões e não pagamentos na vida dos trabalhadores e suas famílias.

A comissão dos demitidos e os sindicatos prometeram ainda reunir todos os afetados pelo golpe na próxima semana. A intenção é ir até a porta da Abril e realizar um protesto para sensibilizar inclusive os profissionais que continuam empregados. Alertará para o risco que eles também correm, enquanto continuam produzindo para esta empresa que não quer pagar. Aliás, produzindo para que a editora ganhe pelas revistas, mas na hora do pagamento dos seus então demitidos se limita a dizer “devo não nego, pago quando puder”. ABRIL DEMITE E NÃO PAGA! PAGA CIVITA!

“Só nos resta um caminho: unidade para estabelecer iniciativas públicas consistentes contra a editora Abril para ela quite todos os débitos com os seus trabalhadores. É importante também darmos visibilidade a este abandono que a empresa está submetendo os profissionais desligados e aos respectivos familiares, sem o pagamento dos direitos trabalhistas”, diz Del Roy. Desse modo, antes que se esgotem os poucos recursos financeiros que os demitidos ainda possuem, todos estão convocados para participarem com seus familiares de um protesto na porta da Abril na próxima semana, bem como compartilharem esta matéria em suas redes sociais e pedirem a ajuda de seus amigos para fazerem o mesmo, além da carta intitulada ABRIL DEMITE E NÃO PAGA! PAGA CIVITA!

 

Fonte: Conatig / Ftigesp