Protesto bloqueia saída da revista Veja


PROTESTO BLOQUEIA SAÍDA DA REVISTA VEJA CONTRA DÍVIDAS TRABALHISTAS

 

Sindicalistas com gráficos e jornalistas demitidos pela editora usaram os seus

corpos para barrarem a saída de caminhões da Veja na sexta-feira

 

Na última sexta-feira (23), os caminhões com a Revista Veja tiveram que ficar no

 pátio da empresa diante do protesto dos sindicatos de classes de profissionais

demitidos há meses pela Editora Abril e que ainda não receberem seus direitos

trabalhistas. Para isso, mesmo com a presença da polícia no local, os

manifestantes se deitaram na frente do centro de distribuição e bloquearam a

saída dos veículos por horas, atrasando a entrega dos exemplares aos pontos de

distribuição e comercialização.

“O ato é uma forma de chamar atenção pública e da editora para ela desistir da

manobra jurídica em curso que busca abrigo na recuperação judicial para não

pagar as dívidas trabalhistas de 1,5 mil profissionais de várias áreas”, diz Leonardo

Del Roy, presidente da Federação Paulista dos Gráficos (FTIGESP), entidade

presente no ato em prol das centenas de gráficos desligados e sem o recebimento dos direitos trabalhistas.

O mais grave é que além de não pagar, a Abril não dá perspectiva de que fará,

mesmo diante da sistemática insistência dos setores jurídicos dos sindicatos para

que os débitos trabalhistas sejam quitados à parte dos demais credores dessa

recuperação judicial da editora. Para piorar, os trâmites iniciais da recuperação

judicial tiveram até aval judicial para recomeçarem só no próximo ano,

dificultando a vida dos trabalhadores sem emprego e que passam dificuldades

por não receberem os direitos.

“Não é justo incluir os direitos dos trabalhadores como se fosse o credor normal da

empresa, como bancos e fornecedor. Os gráficos, jornalistas, administrativos e

distribuidores laboraram por vários anos e há leis que os protegem que devem ser

garantidas”, disse Del Roy no ato ao lado da presidente do Sindicato dos Gráficos

(STIG) de SP, Elisangela Oliveira, e do presidente do STIG Jundiaí, Leandro

Rodrigues. O jurista do STIG-SP, Raphael Maia, que também é do Sindicato dos

Jornalistas (SJSP), também estava presente, ao lado do presidente do SJSP, Paulo

Zocchi, além de Domingos, presidente do sindicato dos Administrativos.

Desse modo, o movimento sindical antecipa que a pressão política deve aumentar

enquanto a Abril não adiantar parte ou a totalidade das dívidas trabalhistas,

independente da recuperação judicial. Para avaliar o ato de sábado e fazer o

planejamento de novos protestos, o movimento já fará uma reunião no STIG-SP

nesta terça-feira (27).

No último sábado, tiveram 60 pessoas no ato, mas a lista de demitidos é bem maior,

com 800 só em agosto. Portanto, os sindicatos esperam contar com mais pessoas

nos novos protestos. “Os demitidos que não participarem jogam contra si mesmos,

reduzindo a pressão crucial para que a justiça seja feita através do pagamento das

dívidas”, fala Del Roy. Também é vital nesta luta por justiça o apoio dos

trabalhadores da Abril que continuam empregados. Afinal, não existe garantia de

emprego para ninguém, tampouco que sofram o mesmo que ocorre com os

demitidos.

Ademais, a editora penaliza todos com a recuperação judicial, inclusive os que

continuam trabalhando. Afinal, embora a FTIGESP e o STIG-SP já tenham

garantido o direito convencionado da PLR a todos os gráficos, a editora adiantou

R$ 700 para todos à título de PLR, mas descontará tal valor do 13º salário,

passando por cima de tudo, pois manobrou e incluiu a PLR numa lista dos

créditos trabalhistas da dita recuperação judicial. E já passou a cobrar do filho dos

gráficos para ele usar o plano de saúde.

“Portanto, a luta é de todos, sejam demitidos ou da ativa, pois quanto mais

companheiros se fizerem presentes nestes movimentos, mais será a possibilidade dos

sindicatos buscarem junto à direção da empresa antecipar o mais rápido o

pagamento dos direitos pendentes”, finaliza Del Roy. #PAGACIVITA!

Fonte: Ftigesp