Protesto Gráfica Abril / Donnelley


Pagamento foi anunciado pelo RH da empresa na semana passada, no mesmo dia em que foi concluída a venda do grupo para Fábio Carvalho

Na quinta-feira da última semana, dia em que o jornal Valor Econômico confirmou a conclusão da venda do Grupo Abril, com suas 23 empresas, para Cavalry Investimentos do empresário Fábio Carvalho, o RH da Abril informou a liberação de R$ 3 milhões para o pagamento de outra parte da dívida trabalhista de uma parcela de gráficos, jornalistas, administrativos e distribuidores demitidos em agosto de 2018. Ela optou pelo pagamento daqueles que tem menores valores a receber. Os demais ficaram de fora. E, ainda assim, não quitou todo o débito com estes profissionais. A editora só pagou 70% da dívida. E desconsiderou a multa de 40% do FGTS. Continua recusando a cumprir multa da CLT sobre as verbas incontroversas e outra multa por não ter pago as verbas rescisórias até o 10º dia da dispensa no o valor de um salário nominal.

Apesar da decisão unilateral da empresa de fazer este pagamento singelo e sem qualquer negociação prévia com os sindicatos dos trabalhadores, a exemplo do STIG-SP, deixando de fora grande parte dos profissionais e continuando com a sua dívida trabalhista milionária, a ação demonstra a importância da classe trabalhadora continuar pressionando. “Dias antes desse pagamento, cobrado pelo movimento sindical, os demitidos tinham feito uma assembleia e decidiram retomar as manifestações diante do novo adiamento do dia da assembleia dos credores da Abril onde definirá o então plano de recuperação judicial”, fala Leonardo Del Roy, presidente da Federação Paulista dos Gráficos.

Uma manifestação será realizada inclusive em conjunto com os gráficos demitidos pela multinacional RR Donnelley. Um protesto digital já ocorreu nas redes sociais das revistas Veja e Exame durante um evento nacional da editora realizado há poucos dias. A repercussão foi grande. Também serão enviadas cartas dos trabalhadores demitidos ao juiz responsável pela recuperação judicial da Abril, mostrando o caos na vida pessoal com o calote do não pagamento das verbas rescisórias ainda em curso.

A cobrança pelo pagamento também está direcionada a Fábio Carvalho, que agora é oficialmente o responsável pela condução da recuperação judicial da Abril, já que concluiu o negócio com o grupo depois de meses da assinatura do contrato de compra e venda com a família Civita, dona e fundadora da editora há 69 anos. A FTIGESP reforça inclusive a posição do próprio Carvalho, durante reunião com o movimento sindical, sobre a possibilidade de realizar o pagamento da dívida por trabalhador de até R$ 250 mil. Independente de quem vai pagar, seja Civita ou Carvalho, todos os trabalhadores cumpriram as suas obrigações quando atuavam na Abril, devendo receber seus direitos. E a editora deve cumprir os seus deveres.

Fonte: FTIGESP