A mulher e o mercado de trabalho

No conjunto das bandeiras de emancipação da mulher, desde o direito ao voto à licença-maternidade, conquistas importantes se acumularam ao longo das últimas décadas. Mas ainda há muito para ser feito e a sociedade tem um longo caminho a percorrer para concretizar as lutas da mulher por direitos que vão da igualdade no mercado de trabalho à independência financeira, da liberdade de escolhas ao fim da violência. 

A mulher também se diferencia de acordo com lugares e costumes. Enquanto muitas delas conhecem os seus direitos, têm autonomia e liberdade de escolhas, outras, em pleno século XXI, ainda se submetem ao poder patriarcal dos homens e se rendem aos desmandos machistas que vão do tratamento endurecido à agressão propriamente dita. 

Certamente, quem faz esse tipo de análise tem como parâmetro uma situação média de determinado grupo social. No que diz respeito à mulher, o fato é que ela tem perfil de ampla diversidade. Há muitos modelos de mulheres, construídos segundo as mais diversas origens no tempo, no espaço, na cultura. 

Mais de 90% das mulheres realizam atividades domésticas, ou seja, as mulheres ocupadas continuam se responsabilizando pelo trabalho doméstico não-remunerado, a chamada “dupla jornada”. Pode se afirmar que embora homens e mulheres produzam bens e/ou serviços necessários para toda a sociedade, a jornada total média semanal das mulheres superava em 7,5 horas a dos homens (53,6 horas semanais a jornada média total das mulheres e 46,1 a dos homens). 

Na contramão desses dados estarrecedores, observamos que o crescimento da proporção de domicílios "chefiados" por mulheres nestes 20 anos passou de 23% para 40% e, em sua maioria, essa chefe de família é a mesma mulher trabalhadora.

Por sua importância e participação na sociedade, a mulher é um tema permanente, com histórias de superação de sucesso e progresso a todos os níveis, quando se trata de igualdade de gênero.

Parte da sociedade pensa que o feminismo está superado, mas, ao contrário, está apenas em uma nova fase, a busca do empoderamento pela conquista da equidade profissional e social.
Augusto Neto
Presidente do STIG-SP